
Existe uma imagem romantizada da inovação nas empresas. Imaginamos uma sala bem iluminada, cheia de post-its coloridos, puffs confortáveis e pessoas sorridentes concordando umas com as outras em um brainstorming perfeitamente harmonioso.
Na prática, esse cenário gera conforto, colaboração e consenso. Mas raramente gera ruptura.
A inovação disruptiva, que é aquela que muda o rumo de um mercado e torna o business as usual obsoleto, é filha do conflito. Ela nasce quando visões de mundo opostas colidem. Ela surge quando a lógica cartesiana do engenheiro bate de frente com a visão humanista do antropólogo. É nessa fricção, nesse atrito cognitivo, que a faísca acontece.
O problema da “câmara de eco” corporativa
A maioria dos executivos passa o ano inteiro conversando com pessoas que:
- Leram os mesmos livros de gestão.
- Têm o mesmo background acadêmico.
- Trabalham no mesmo setor e usam os mesmos jargões.
O resultado disso é a “inovação incremental”. Melhoramos 10% o que já fazemos. Somos mais eficientes, mas não somos diferentes. Quando todos concordam, ninguém está pensando.
O SXSW como laboratório de atrito
É aqui que o South by Southwest (SXSW) se diferencia de qualquer conferência técnica. A curadoria do evento é desenhada intencionalmente para gerar desconforto intelectual.
Não é um erro de organização; é uma feature.
Em Austin, você pode sair de uma palestra técnica sobre Computação Quântica (onde a lógica reina) e entrar imediatamente em uma sessão sobre Afrofuturismo ou Bioética (onde a emoção e a moral reinam).
Você ouve um CEO de Big Tech defender que a IA vai salvar a produtividade global e, 20 minutos depois, assiste a uma ativista de direitos civis provar, com dados, como a mesma IA pode amplificar preconceitos e destruir democracias.
Esse choque de realidades obriga seu cérebro a sair do piloto automático. Você não consegue apenas “absorver” o conteúdo; você precisa processar contradições. E é nesse esforço de síntese que surgem os insights que você nunca teria na sala de reunião da sua empresa.

Como cultivar o atrito na sua empresa
Você não precisa esperar março para começar. A lição que trazemos de Austin é que líderes devem criar espaços seguros para o dissenso.
- Convide pessoas de áreas “nada a ver” para reuniões estratégicas.
- Premie quem faz a pergunta difícil, não apenas quem dá a resposta rápida.
- Exponha seu time a problemas que eles não sabem resolver.
Ir ao SXSW é um exercício de humildade. É aceitar que a resposta para o seu problema de logística pode vir de um biólogo, e a solução para o seu marketing pode vir de um cineasta. A inovação vive no atrito.
Desafie suas certezas em Austin
A Copastur leva líderes para o SXSW não para confirmar o que eles já sabem, mas para descobrir o que eles nem imaginavam.


